“Tá chegando a hora”. Diz Bolsonaro


O presidente receberá o troféu Homem de Visão em 2020, por sua declaração. “Tá chegando a hora de tudo ser colocado no devido lugar”, disse Bolsonaro. Na manhã seguinte, Fabrício Queiroz, ex-assessor de seu filho Flávio Bolsonaro, foi levado a seu devido lugar. A prisão. Ficou escondido um ano em Atibaia, SP, na casa do advogado da família Bolsonaro, Wassef, o “Anjo”. Vizinha a uma casa que consta nos bens de Jair Bolsonaro.

Esses vizinhos do presidente...que azar. No condomínio da Barra, o vizinho incômodo era o sargento PM Ronnie Lessa, preso pelo assassinato da vereadora Marielle Franco. Agora, é o Queiroz, amigo e motorista de Flávio na Alerj, com tanta história para contar sobre a rachadinha, esquema de fraude e desvio de salários. A prisão dele e de extremistas, a quebra de sigilo de parlamentares incendiários, tudo isso aguçou a visão de Bolsonaro.

Está chegando a hora de tudo ser colocado no devido lugar. Aos pouquinhos, com figuras periféricas. Comendo o mingau quente pelas beiradas. Pertence a essas bordas Sara Mini, ah desculpe, Giromini, que fez tudo para ser presa. Punho erguido ou tocha nas mãos, ela grita “somos a sua base, presidente” e ameaça infernizar a vida de Alexandre de Moraes, do STF, relator do inquérito das fake news. Bolsonaro, agradecido. Vocês são a minha base. Que vizinhos e que base.

“Não vou ser o primeiro a chutar o pau da barraca. Fique tranquilo”. Claro, presidente, estamos todos tranquilos na barraca e o mundo inteiro cita o Brasil como um exemplo no combate à pandemia... “Acertar o rumo da prosperidade” significa tirar dois médicos do ministério da Saúde, menosprezar quase 50 mil mortos e nomear para a pasta mais um general. Cloroquina acima de todos.

Bolsonaro tem visão. O essencial agora é um ministro das Comunicações. Essencial. Porque a comunicação de Bolsonaro anda estranha. Quanto mais ele se comunica, menos o Toffoli, o Maia e as torcidas do Corinthians e do Palmeiras acreditam que seja um democrata e que respeite as instituições.

Mas Fábio Faria, marido da Patrícia Abravanel e genro do Silvio Santos, agora ministro, vai dar um jeito nisso. Não está tenso. Patrícia já disse num programa de TV que não deixa o marido sem sexo, senão ele vai procurar fora de casa.

De tanto esticar a corda, o presidente percebe finalmente que, numa democracia, há limites – e que o teatro autoritário tem consequências. Não dá para condecorar ministro que chama juiz do Supremo de vagabundo. Não dá para estimular gangues a invadir hospitais. Não dá para dizer que “o povo armado nunca vai ser escravizado”. Não dá para apoiar tortura e censura.

Bolsonaro tem visão. E o que vê não o agrada. O Brasil decidiu buscar quem financia atos pela intervenção militar. E prender a arraia-miúda, disfarçada de apoiadores, assessores. “Quem recebe dinheiro para disseminar o ódio não é militante. Primeiro, é mercenário. (...) Depois, criminoso”, disse o ministro Barroso do STF.

“O jogo é bruto”, lamentou o senador Flávio Bolsonaro, que agiu nove vezes para barrar investigações contra ele. Flávio é amigo pessoal dos dois deputados que quebraram em 2018, aos risos e palavrões, a placa de rua com o nome de Marielle. Apoiou ambos. Parece gostar de jogo bruto.

Ai ai ai ai. Tá chegando a hora. O dia já vem raiando. Eu tenho que ir embora. Em cima da lareira do esconderijo de Queiroz, uma placa exaltava o AI-5. É, tá chegando a hora de colocar tudo no seu devido lugar.

Rouba, mas não faz!!!


Impressiona, ainda que não surpreenda, o contorcionismo dos apoiadores do governo para empacotar a corrupção como um mal menor diante da prisão de Fabrício Queiroz e da possibilidade de o primeiro-filho, o senador Flávio Bolsonaro, ter o mesmo destino.

Corrupção, confirmamos mais uma vez, nunca foi a razão para eleger um sujeito ignóbil como Jair. Fosse isso, bolsonaristas não defenderiam agora rachadinha como prática aceitável, “porque todo mundo faz”, “porque nem se compara ao que o PT ou Sérgio Cabral roubaram”. Mesmo para o padrão tupiniquim de lambe-bota de político, essa praga que nos assola, a mítica frase “rouba, mas faz” sofre aqui um duplo twist carpado.

Sabemos que a moral de parte da população é flexível. Bate palmas para tipos como Paulo Maluf, porque construiu pontes e avenidas, embora tenha enchido o bolso com milhões. Defende que partido que tira pobre da miséria não merece crítica nenhuma, apenas redenção, apesar dos comprovados pesares.

De Adhemar de Barros ao PT, o “rouba, mas faz” sempre foi exaltado. Coisa nova na vida política é a defesa apaixonada do “rouba, mas é pouco”. Não é pouco e faz falta na educação, na saúde, na segurança.

Bolsonaro tem razão quando diz que os brasileiros deveriam ser estudados. Muitos fecham o nariz e pulam no esgoto do pragmatismo político. Apoiadores do presidente têm demonstrado que podem nadar de braçada nessa imundice ao aceitar rachadinha, contratação de funcionário fantasma, inclusive pelo então deputado Jair, uso de verba pública para financiar atos privados e sites ideológicos, além dos superfaturamentos tão disseminados nos gabinetes parlamentares.

Com um ano e meio de governo, resultados desastrosos em todas as áreas, já sabemos que o apoio ao clã presidencial é irrestrito e pode evoluir até mesmo para o “rouba, e não faz nada, mas e daí?”.

Forças Armadas e a Democracia


Declarações e notas da elite governista divulgadas nos últimos dias mostram que alguns de nossos generais ainda não entenderam o que é democracia e menos ainda o papel das Forças Armadas em uma.

Primeiro foi o general Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da Secretaria de Governo, que, em entrevista à revista Veja, afirmou que não há risco de as Forças Armadas desferirem um golpe, mas alertou que o “outro lado” não pode “esticar a corda”. Queixou-se especificamente de comparações de Bolsonaro a Hitler.

Receio que Ramos esteja desatualizado quanto ao nível de liberdades democráticas em vigor no país. Até onde vai a teoria, a oposição sempre pode esticar a corda (o fato de poder não quer dizer que deva), e todo cidadão sempre pode comparar qualquer um a Hitler (também não quer dizer que deva). Aliás, Bolsonaro não fez outra coisa que não esticar a corda desde que assumiu o poder.

Logo em seguida, o presidente Jair Bolsonaro e os generais Hamilton Mourão (vice-presidente) e Fernando Azevedo (ministro da Defesa) soltaram uma nota em que dizem que as Forças Armadas não aceitam tentativas de tomada de poder decorrentes de “julgamentos políticos”. Da última vez que abri a Constituição, vi que todos os cidadãos brasileiros estão obrigados a acatar decisões da Justiça, quer as considerem políticas, apolíticas, justas ou injustas. Pode-se discuti-las, lamentá-las, mas não desobedecer a elas.

Eu esperaria que, a essa altura, os militares tivessem aprendido mais sobre as virtudes da democracia. Seu valor, é oportuno lembrar, não está nas figuras que elege —Collor, Dilma e Bolsonaro não me deixam mentir—, mas nos meios não violentos que ela oferece para que nos livremos de maus governantes. Eles são o voto, processos penais e eleitorais e o impeachment, todos perfeitamente legais.

Em tempo, a Costa Rica decidiu livrar-se das Forças Armadas e vive muito bem sem elas.

“O Mal Nosso”


Levando em consideração que toda a nossa vida em sociedade é regida pela política, é justo dizer que esse assunto tem que ser discutido, e muito. Principalmente agora, quando o cenário político do país passa por uma das maiores crises de sua história.

O Brasil está passando por uma pandemia que, além de estar causando milhares de mortes, está destruindo a economia levando o país a índices altíssimos de desemprego. Como se não bastasse as crises sanitária e econômica o Brasil passa também por crises moral e política envolvendo escândalos de corrupção e desvio de verba pública por políticos mal escolhidos pelo povo.

Políticos mal escolhidos pelo povo? Sim! É certo que a causa da pandemia do Covid-19 não tem nada a ver com os políticos. Mas a eficiência em combate-la sim, tem muito a ver com a inteligência e percepção daqueles que foram escolhidos nas urnas.

E quanto a corrupção? Aí o “povão” brasileiro vem dando um show de péssimas escolhas. O Brasil hoje está muito perto dos países mais corruptos do mundo. Escolheu mal no passado e escolhe mal agora, relegando o país a um terceiro mundismo infame e duradouro.

Este ano terá eleição. Outra chance será dada aos cidadãos para escolher melhor quem vai administrar, neste caso, os municípios brasileiros.

Aqui em Caçapava, tem opção para todo gosto. Tem um número grande de pessoas aspirando o cargo de prefeito. Tem estudados, gente sem estudo, experientes e nem tão experientes assim. Tem gente mal falada, de reputação ilibada e até recuperados. Enfim, e como sempre, a chance de acertar ou de errar são iguais. Então, muita atenção é necessária.

Alguns ex-prefeitos estarão concorrendo, assim como o atual. Nesses casos fica mais fácil de analisar. Vamos ver:

Um ex-prefeito que não conseguiu prover as escolas públicas com um produto simples como material escolar por pura incompetência, daria conta de proteger os cidadãos dessa pandemia como a do corona vírus? A FUSAM teria o que é necessário para salvar vidas? Esse ex-prefeito não aceitava críticas. Usava a máquina pública para perseguir seus opositores. Eu não o escolheria!

O atual prefeito seria mantido por mais quatro anos na prefeitura? A parceria dele com verdadeiros exploradores da coisa pública e ato de corrupção, gravado e colocado a público, de seu principal secretário, que foi ignorado ou teve sua participação, devem ser tolerados? Não, não devem! Acho que o atual prefeito, na minha opinião, foi um péssimo administrador, portanto, eu não o escolheria.

Entre os candidatos tem também os teimosos, aqueles que concorrem todo ano. Tem um em particular que os caçapavenses não pode perdê-lo de vista. Conhecido pela sua vigarice política e prática de extorsão merece atenção. Que continue sendo derrotado!

Porém, nem tudo está perdido, temos bons candidatos vindo aí. Um experiente, que foi referendado pelo povo caçapavense por dois mandatos e uma novata que tem dedicado, a anos, sua vida em ajudar o próximo. Uma mulher, uma pétala, desta machucada flor chamada Caçapava.

Que desta vez termine “O Mal Nosso”.

Fanfarronice a cavalo


Os estertores da ditadura militar produziram uma figura de pé de página na história do Brasil: o general Newton Cruz. Enquanto chefe do SNI sob o presidente Figueiredo, só as trevas o conheciam. Mas, em 1983, quando Figueiredo o promoveu a comandante militar do Planalto, seu estilo saiu à luz do dia.

Newton Cruz foi pioneiro em mandar repórteres calar a boca, partiu para estrangular um deles numa coletiva e, de rebenque e capacete, comandava a cavalo as operações antiprotesto em Brasília, chicoteando os carros e jogando o pobre animal contra as pessoas na calçada.

É um perigo quando autoridades se prestam a tais fanfarronices. O povo tende a identificá-los com sua montaria, vendo neles um único quadrúpede. Newton Cruz nunca se livrou dessa imagem, nem mesmo quando foi acusado de envolvimento em episódios turvos da ditadura, um deles a bomba no Riocentro, em 1981. Passou à posteridade aos relinchos.

Jair Bolsonaro saiu a cavalo pela Esplanada dos Ministérios neste domingo, saudando seus cada vez mais reduzidos apoiadores. Fez isso em mangas de camisa e com as fraldas para fora, mostrando o pé de chinelo que sempre foi. Na Caserna, foi apenas um ex-tenente que só foi promovido a capitão ao ser mandado embora do Exército. Nunca um suboficial lhe prestou continência. O homem a cavalo imagina-se uma potência, por ver os outros de cima para baixo. Bolsonaro, desmontado, ao rés do chão e acuado pela Justiça, já não está com essa potência toda.

E começa a tornar possível o que até há pouco parecia impensável: unir contra si as forças democráticas do Brasil, de várias cores políticas. Na ditadura foi assim —custou, mas chegou-se a um ponto em que ela já não interessava a ninguém, nem aos militares. A Bolsonaro só restará uma minoria falangista. Até o centrão, que ele pensou ter comprado, lhe dará uma banana.

O problema de governar a cavalo é que um dia ele tem de voltar para a estrebaria.

Salve-se quem puder

Juro que a última coisa que quero são as hemorroidas do Bolsonaro. O que me impressionou no incrível vídeo da reunião ministerial não foram tanto os palavrões nem as posições antirrepublicanas, que já sabíamos que viriam, mas o completo despreparo das autoridades ali presentes.

A desinteligência começa na própria ideia de gravar o vídeo. Desde Richard Nixon, nenhum político com mais de dois neurônios manda imortalizar situações que revelem a intimidade do poder, a menos que esteja obrigado por lei. No caso de reuniões de gabinete, não existe essa obrigação. Mesmo quando os participantes não confessam nenhum crime, acabam mostrando as entranhas dos processos decisórios, que nunca são bonitas de ver.

No caso específico, porém, há, se não confissões, indícios abundantes de crimes de responsabilidade e até de delitos penais ordinários. Depende só de Rodrigo Maia e de Augusto Aras o início de processos que podem levar à destituição do presidente.

O que realmente preocupa é o alheamento dos hierarcas. O Brasil atravessa uma crise sanitária sem precedentes e que deixará um rastro de destruição econômica raramente vista. As autoridades, porém, não falam nada de aproveitável sobre economia e mal mencionam a saúde. Estão mais preocupadas em adular o chefe e antagonizar adversários políticos. Parecem viver numa realidade paralela na qual só o que importa é a escatologia vascular do presidente.

Se esse é o resultado da democracia, precisamos rever alguns conceitos. Exigir que candidatos a presidente sejam aprovados no Enem e no psicotécnico talvez seja excessivo, mas acho que faz sentido reforçar um desenho institucional no qual certas decisões especialmente sensíveis tenham de passar por órgãos técnicos mais difíceis de aparelhar. Em tese, as empresas funcionam um pouco com essa filosofia.

Precisamos dar um jeito de não ficar na mão de gente tão desqualificada.

Sanatório chamado Brasil


O slogan “Brasil acima de tudo” está prestes a ganhar novo significado. Desgovernado pelo bolsonarismo, o país marcha para o topo do ranking de mortes diárias pelo coronavírus. Ultrapassar os Estados Unidos virou questão de semanas, prevê o médico Drauzio Varella. “O Brasil vai ser o epicentro da epidemia mundial”, ele resumiu, em debate promovido na quinta-feira pela Oxfam.

Em tempos normais, o país já estaria condenado a uma crise humanitária. O vírus cobraria a conta histórica da desigualdade e da falta de investimentos em saúde e moradia popular. O negacionismo do capitão elevou o patamar da tragédia. Ele desprezou a ciência e torpedeou as medidas de distanciamento, necessárias para frear a contaminação.

O Brasil é o único país do mundo que descartou dois ministros da Saúde em plena pandemia. O primeiro foi chutado porque resistiu às ordens para sabotar governadores e iludir doentes com um remédio milagroso. O segundo entregou o cargo pelas mesmas razões.

Nelson Teich assumiu com a promessa de “alinhamento completo” a Bolsonaro. Precisou de 28 dias para desistir do papel de fantoche. Indicado por um empreiteiro amigo, ele se limitava a assinar papéis num ministério loteado entre militares. Em sua breve gestão, o número oficial de mortes saltou de 1.924 para 14.817.

O oncologista desperdiçou a última chance de prestar um serviço público ao sair sem denunciar o que viu. Sua queda mostra que não há limites para o mandonismo e a insensatez no sanatório de Dr. Bolsonaro.

Em 500 dias no Planalto, Bolsonaro afastou todos os auxiliares que ousaram questioná-lo. Sobraram os lunáticos, os oportunistas e os generais que toparam o papel de cúmplices. Eles colaram a imagem das Forças Armadas a um presidente que põe o próprio povo em risco e usa o poder para proteger os filhos da polícia.

Na sexta, horas depois da saída de Teich, um quarteto de ministros foi à TV para defender o chefe. O general Luiz Eduardo Ramos acusou a imprensa de instalar um “clima de terror”. Ele entrou na escola de cadetes em 1973, quando a ditadura censurava notícias sobre uma epidemia de meningite. Mais ousado, o general Braga Netto culpou o jornalismo por casos de depressão e violência doméstica na quarentena. Faltou pouco para sugerir que as emissoras deixem de cobrir a pandemia para exibir paradas militares.

Damares Alves, a pastora que dá tom de chanchada ao desgoverno, citou estudos inexistentes para sustentar que “a cloroquina faz bem”. Paulo Guedes, o economista do bolsonarismo, discursou em defesa do “direito de ser infectado”. Deixou de dizer que o egoísmo pode tirar o leito hospitalar de quem respeita o isolamento.

Guedes não se cansa de naturalizar o autoritarismo e repetir a propaganda enganosa do capitão. Na sexta, ele descreveu Bolsonaro como “um democrata” que “não concorda com a velha política” e combate o “aparelhamento”. No mesmo dia, o Dr. Bolsonaro reconduziu Carlos Marun, fiel escudeiro de Eduardo Cunha, ao conselho de Itaipu. O ex-deputado continuará a embolsar R$ 27 mil por mês com a sinecura. O dinheiro poderia sustentar 45 famílias com o auxílio emergencial de R$ 600.

Vai passar!!!

Adiar as eleições ou o sofrimento dos caçapavenses


Eleito presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Luís Roberto Barroso acredita que junho será o prazo máximo para decidir sobre o adiamento ou não das eleições municipais de 2020 por conta da pandemia do coronavírus. E acrescenta: “Se não for possível realizar o pleito com segurança, o adiamento se imporá”.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) assumiu o posto de presidente do TSE em maio agora, mês em que o país poderá estar vivendo o pico da epidemia causada pela Covid-19. O magistrado comandará a mais complexa eleição do país desde 1989, quando a população foi às urnas pela primeira vez após a redemocratização. Ele repete, contudo, que o adiamento tem que ser pelo menor tempo possível.

O ministro também reforçou que “a competência para decidir acerca do adiamento é do Congresso Nacional”. “O TSE, naturalmente, fará a interlocução necessária com a Câmara e com o Senado, inclusive porque há questões técnicas, relacionadas a testes operacionais, treinamento de mesários etc. que precisarão ser equacionadas”, explica.

O magistrado afirma que a preocupação da corte eleitoral é “não prorrogar os mandatos um dia sequer, salvo hipótese de absoluta impossibilidade material de evitar – e, também aqui, pelo prazo mínimo inevitável”.

De acordo com Luís Roberto Barroso, “todos os Ministros do TSE” são contrários “ao cancelamento das eleições para fazê-las coincidir em 2022”. Segundo o ministro, “há muitas razões” para ele e seus colegas de toga serem contra a prorrogação dos mandatos, mesmo diante da atual crise sanitária.

Em Caçapava, a exceção dos eleitos nas eleições anteriores e seus comissionados, a população parece ser contra o adiamento, pois é nela, que os caçapavenses colocam suas esperanças em trocar logo essa péssima administração, e também, a maioria dos vereadores que mal sabem o que fazem na Câmara.

Para algumas cidades, e Caçapava é uma delas, o adiamento será uma tortura aos cidadãos que já não suportam mais prefeitos e vereadores de péssima qualidade.

Algazarra golpista

“A paciência de Jair Bolsonaro acabou, ele está em seu limite, tem ao seu lado as Forças Armadas e fará cumprir, a qualquer preço, a sua interpretação da Constituição”.

As palavras proferidas na mais recente algazarra golpista, no domingo (3), têm como objetivo intimidar não só Alexandre de Moraes, que dificultou sua intenção de interferir em investigações da PF, mas qualquer ministro do STF que possa lhe causar embaraços. Como Celso de Mello, que comanda a apuração das acusações do ex-ministro Sergio Moro.

Como suporte às bravatas, o presidente ameaça mover o sonho de toda uma vida de delinquência sem punição: uma quartelada a seu favor.

A ameaça de ruptura institucional foi coroada no domingo pela violência de covardes que se escoram na proteção dos bandos para atacar alvos pelas costas. Os presidentes do próprio Supremo, Dias Toffoli, e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), ficaram mudos.

Segundo consta, Toffoli até se irritou, mas com a decisão dos colegas. Davi foi ao Planalto nesta segunda, mas apenas para exercitar a sua alma de eterno baixo-clero e lengalengar a necessidade de harmonia.

E de pusilanimidade em pusilanimidade a vergonha vai sendo escrita.

Qualquer ministro que se acovarde neste momento não merece a toga que veste. Ministros do STF não são deuses. Para conter eventuais erros e abusos, estão lá o colegiado, a reação abalizada da sociedade civil e, até, o impeachment. Jamais a intimidação ou a desobediência.

Qualquer militar também não merece a farda que veste se der suporte a ameaças de ruptura feitas por um descapacitado que demonstra não ter condições nem de ser síndico no seu condomínio Vivendas da Barra. Militares são agentes do Estado brasileiro, não atores políticos ou capachos de tiranetes. Tanques não podem mais escrever a história política deste país, por mais que celerados assim o desejem.

Cuidados com o Bolsovírus

Cuidado. Há no ar e nas redes sociais o perigo de uma contaminação crescente de ignorância, alienação, truculência e cinismo. O foco do bolsovírus (BoV) é o Palácio do Planalto – e também o da Alvorada. Há suspeita de hospedeiros intermediários em condomínio da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O BoV é uma ampla família de vírus à qual pertencem as cepas que causaram nos EUA o trumpvírus e o olavírus.

Como se prevenir? Evite abrir mensagem de cunho pessoal do WhatsApp do presidente da República, de seu guru Olavo de Carvalho ou dos Irmãos Metralha. Se abrir, não compartilhe. Se compartilhar, pode estar contribuindo para um estado de emergência que escapará a seu controle, como cidadão íntegro, racional, democrata e pacífico. Evite também o Instagram desses propagadores. Eles estão aqui de passagem. Você quer sobreviver, não?

Quais são os principais sintomas? O entorpecimento da razão. O ódio pulsando na veia e no riso. O descontrole. Delírios persecutórios contra moinhos de vento. O autoengano. Achar que capitão manda em general. Imaginar que a bandeira brasileira pertence a um político, ou representa uma ideologia. Confundir o povo com a claque. Espalhar fakenews e infâmias. Manipular a fé. Apelar compulsivamente para palavrões, piadas sexuais e gestos indecorosos.

Atenção: a pessoa infectada começa a fazer sinais de armas com as mãos, dar bananas e agir de maneira egocêntrica e hostil. Compara os juízes do Supremo a hienas. Investe contra a Constituição. Insulta os presidentes da Câmara e do Senado. Confunde ai, ai, ai com AI-5.

Alguns casos foram erradicados no Brasil. Houve um secretário que se fantasiou de Goebbels e foi defenestrado com pesar por quem prefere o chapéu de duas pontas de Napoleão. E ainda não era carnaval. Deve estar numa quarentena. Outros casos detectados, que trocam “ss” por “c” e fingem ser Gene Kelly, em breve dançarão e serão confinados em universidades públicas. Contraprova do Enem é que não falta. Está na mira da OMS quem considera a Terra plana.

A corrida por máscaras não se justifica, dizem especialistas. Na verdade, muitos disseminadores do bolsovírus já tiraram a máscara. Outros estão por aí disfarçados. Não aperte a mão deles! Mas converse! Ainda não há motivo para a população entrar em pânico, dizem os médicos. Não tenho mais tanta certeza disso.

Não conhecemos bem o vírus para saber se vai sofrer alguma mutação e evoluir para algo mais grave. O mais grave a gente conhece de outros carnavais. A ditadura, a desordem, as torturas, a perda da liberdade, a bancarrota da civilidade. Ainda não há vacina contra o bolsovírus, achávamos que o Brasil estava vacinado.

Enquanto, no coronavírus, se recomenda lavar as mãos com água e sabão, no bolsovírus é essencial lavar a boca com água e sabão, pensar com autonomia e teclar com moderação. A mão deve ser colocada na consciência. Em nome do Brasil.

Falar grosso não intimida mais

Jair Bolsonaro tirou o domingo para praticar seu esporte preferido: a ameaça à democracia. O presidente participou de uma manifestação que pedia o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. As faixas defendiam uma “intervenção militar”, eufemismo rasteiro para golpe.

A ambição autoritária de Bolsonaro não é novidade, mas desta vez ele conseguiu inovar. O capitão improvisou um palanque em frente ao Quartel-General do Exército. Ao escolher o cenário, buscou passar a mensagem de que os militares estariam a seu lado numa ofensiva contra as instituições.

Sempre que se sente enfraquecido, o presidente lança a carta da radicalização. A agitação dominical serviu para reagrupar sua tropa, que estava abatida desde a demissão do ministro da Saúde. Os extremistas voltaram a mobilizar as redes e organizaram carretas contra as medidas de isolamento social.

Bolsonaro não quer governar. Isso o obrigaria a ler relatórios, assumir responsabilidades e abandonar o discurso populista sobre o coronavírus. Ele prefere terceirizar os problemas e eleger bodes expiatórios. Após a queda de Henrique Mandetta, o novo alvo é Rodrigo Maia.

No cenário atual, o bolsonarismo não precisa de um autogolpe. Basta manter o clima de tensão permanente no ar. A tática da intimidação tem funcionado. Mais uma vez, as instituições se limitaram a reagir com tuítes e notas de repúdio. Esse tipo de resposta já se mostrou ineficaz para estancar as ameaças.

Ontem o ministro da Defesa afirmou, também por escrito, que as Forças Armadas “trabalham com o propósito de manter a paz e a estabilidade do país, sempre obedientes à Constituição”. Na porta do Alvorada, o presidente expôs sua visão do assunto. “A Constituição realmente sou eu”, sentenciou.

O discurso na caminhonete não foi a única provocação do fim de semana. Enquanto o capitão confraternizava com golpistas, seu filho Carlos divulgou outro vídeo com apelo à violência. Na gravação, homens de preto gritam “Bolsonaro” e descarregam revólveres num estande de tiro. O vereador dispensou a legenda.

Mandetta desafia Bolsonaro

No início da semana passada, Jair Bolsonaro acordou invocado e resolveu demitir o ministro da Saúde em plena pandemia do coronavírus. Os generais do Planalto entraram em campo e convenceram o capitão a guardar a caneta. Luiz Henrique Mandetta também ensaiou um recuo e declarou que o chefe estava no comando.

A crise parecia ter esfriado, mas Bolsonaro não se emenda. O presidente tirou a Semana Santa para provocar o ministro. Na quinta-feira, foi à padaria e lanchou no balcão, desrespeitando um decreto local. Mais tarde, disse que “médico não abandona paciente, mas paciente pode trocar de médico”.

Na sexta, deu um pulo na farmácia, esfregou o nariz e apertou as mãos de populares. No sábado, foi a Goiás e voltou a confraternizar com eleitores. Tudo diante das câmeras, num teatro para desmoralizar Mandetta e debochar das medidas de isolamento.

No domingo de Páscoa, o ministro revidou. Em entrevista ao Fantástico, ele desafiou o presidente ao menos seis vezes. Reclamou das declarações contra a quarentena, condenou quem continua “entrando em padaria”, desmentiu a conversa de que o vírus está “começando a ir embora” e ironizou teorias conspiratórias que brotam dos subterrâneos do governo.

Num momento de pura maldade, Mandetta disse que ninguém no ministério pegou o coronavírus. O Planalto já teve mais de 20 infectados, e o capitão se recusa a mostrar seus exames. Para arrematar, o ministro passou o feriado com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. O homem do cavalo branco era bolsonarista desde criancinha, mas agora galopa ao lado da oposição.

Mandetta é profissional: jogado na frigideira, devolveu a fritura ao colo de Bolsonaro. O ministro sabe que está por um fio. Por isso, usou a entrevista para marcar posição e deixar claro que está sendo sabotado. Se for mesmo demitido, sai como mártir. Se ficar, vence mais um round no duelo com o chefe enciumado.

Para o presidente, as duas alternativas são indigestas. Mesmo que diga o contrário, ele sabe que o Brasil se aproxima do pico da epidemia. Se despachar o auxiliar agora, terá que responder sozinho pela tragédia anunciada.